sexta-feira, julho 30, 2004

"Filósofos"

"Porque são tão frequentemente ridículos os filósofos para quem lhes quer mal e até para muitos dos que lhe querem bem? Em primeiro lugar, provavelmente, por essa mistura característica que neles acontece de ambição teórica desmedida (querer perguntar tudo, sempre "porquê?" e mais "porquê?") e resultados práticos escassos (quase todas as respostas são tão inquientantes como as perguntas e não costumam servir para fazer nada "eficaz" a partir do que afirmam). Além disso, frequentemente os filósofos chocam com as evidências do senso comum ou com as respeitáveis tradições que as pessoas decentes não põem nunca em ridículo. Ainda mais, em geral usam uma gíria incompreensível - com abundância de termos obsoletos ou estrangeiros, quando não são directamente inventados para a ocasião - e não condescendem em discutir com quem argumenta com eles em linguagem coloquial, mas olham-nos com superioridade. Casualmente podem ser modestos - "só sei que nada sei" - mas surge-lhes a arrogância disparatada por debaixo da túnica: "ninguém sabe tanto como eu!". Alguns não se privam de dar lições sublimes de moral, mas raras vezes vivem de acordo com o que pregam(...). Para cúmulo, dão-se muito mal entre si e desacreditam os seus colegas com raiva. Em poucas palavras: são pedantes, pomposos, inúteis, irreverentes, hipócritas e egocêntricos. Existe quem dê mais... por menos?" As Perguntas da Vida, Fernando Savater Tendo em conta que todos somos filósofos, acho que não é preciso dizer mais nada. Está tudo na penúltima frase... duana